Exames pós-bariátrica: quais fazer, quando e o que cada um mostra

Revisado por Nutricionista Carla FrancoNutricionista Bariátrica · CRN-9 33413
5 min de leitura
Exames pós-bariátrica: quais fazer e com que frequência
Resposta rápida

Depois da bariátrica, os exames de sangue são feitos aos 3, 6 e 12 meses no primeiro ano e depois pelo menos uma vez por ano, para a vida toda. A lista básica inclui hemograma, ferritina, folato, vitamina B12, vitamina D, cálcio e função dos rins e do fígado, com zinco e cobre pelo menos uma vez por ano.

Você operou, está se sentindo bem e não sabe se ainda precisa fazer tantos exames. Ou recebeu uma lista enorme e quer entender para que serve cada um. A verdade é que os exames são parte do tratamento: eles mostram o que falta antes que o corpo dê sinais.

Este texto explica por que os exames são para sempre, quais fazer, com que frequência, o que cada um mostra e o que fazer quando algo vem alterado.

Por que os exames são para sempre?

Depois da cirurgia, você come bem menos e, em algumas técnicas, absorve menos nutrientes. Por isso, as diretrizes recomendam suplementação e exames para a vida toda2, 1.

Muita gente já chega à cirurgia com alguma vitamina ou mineral baixo1. E a falta de nutrientes pode demorar a dar sinais: os exames pegam o problema antes dos sintomas. A diretriz britânica recomenda acompanhamento no serviço da cirurgia por pelo menos 2 anos e, depois, exames pelo menos uma vez por ano, compartilhados com outros médicos1.

E os exames antes da cirurgia?

Eles são o ponto de partida. A diretriz britânica recomenda uma avaliação nutricional completa antes da operação, com hemograma, ferritina, folato, vitamina B12 e vitamina D, além de cálcio e PTH, para não confundir uma alteração antiga com efeito da cirurgia1. Quem não tem diabetes conhecido também deve ser investigado antes de operar1.

Guarde esses resultados: comparar com os exames de depois mostra o que mudou de verdade.

Quais exames fazer depois da bariátrica?

A diretriz britânica de monitoramento recomenda1:

Exame O que mostra Frequência
Hemograma e ferritina anemia e estoque de ferro 3, 6 e 12 meses; depois, pelo menos 1 vez por ano
Folato reserva de folato 3, 6 e 12 meses; depois, pelo menos 1 vez por ano
Vitamina B12 reserva de B12 3, 6 e 12 meses; depois, pelo menos 1 vez por ano
Vitamina D (25(OH)D) reserva de vitamina D 3, 6 e 12 meses; depois, pelo menos 1 vez por ano
Cálcio cálcio do sangue 3, 6 e 12 meses; depois, pelo menos 1 vez por ano
PTH (paratormônio) equilíbrio do cálcio e dos ossos se não foi feito antes da cirurgia
Rins e fígado funcionamento dos órgãos 3, 6 e 12 meses; depois, pelo menos 1 vez por ano
Zinco e cobre minerais ligados a cabelo, sangue e cicatrização pelo menos 1 vez por ano

Fonte: diretriz da British Obesity and Metabolic Surgery Society, 20201. A sua equipe pode ajustar a lista.

Depois do bypass, a diretriz também recomenda dosar o selênio pelo menos uma vez por ano1. No SUS, a lista de exames depois da cirurgia inclui hemograma, proteínas totais e frações, zinco, cálcio, vitamina B12, folato, ferritina, vitamina D e colesterol e triglicérides3.

Calendário de exames depois da bariátrica: 3, 6 e 12 meses e depois uma vez por ano

Com que frequência no primeiro ano e depois?

No primeiro ano, a perda de peso é mais rápida e os exames são mais frequentes:

  • Diretriz britânica: aos 3, 6 e 12 meses, e depois pelo menos uma vez por ano1.
  • Diretriz americana: a cada 3 a 6 meses no primeiro ano, e depois uma vez por ano2.
  • SUS: a regra do Ministério da Saúde prevê consultas no 1º, 2º, 3º, 4º, 6º, 9º, 12º a 15º e 18º meses, com exames em parte delas3.

A diretriz britânica lembra que a frequência deve refletir o tipo de cirurgia e pode ser individualizada1.

O que cada resultado mostra?

  • Ferritina baixa: estoque de ferro baixo, mesmo antes da anemia. O texto sobre ferritina baixa explica os valores.
  • B12 e folato baixos: podem causar anemia e, no caso da B12, formigamento e problemas nos nervos.
  • Vitamina D: a diretriz britânica considera suficiente um valor de 75 nmol/L (30 ng/mL) ou mais1. O texto sobre falta de vitamina D mostra as faixas.
  • Cálcio e PTH: ajudam a ver se o corpo está tirando cálcio dos ossos.
  • Zinco e cobre: a diretriz recomenda dosar o zinco se houver anemia sem explicação, queda de cabelo ou mudança no paladar, e acompanhar o cobre em quem toma zinco, e vice-versa1.

O que fazer se algo vier alterado?

Não ajuste nada por conta própria. Leve o resultado para a sua equipe médica e de nutrição, que decide a reposição. A diretriz americana recomenda multivitamínico todos os dias, para a vida toda, e doses extras de alguns nutrientes conforme os exames2.

Um sinal de alerta merece atenção imediata: vômitos frequentes, alimentação muito pobre, perda de peso muito rápida, inchaço ou formigamento. Nesses casos, a diretriz britânica orienta começar o tratamento da falta de tiamina (vitamina B1) logo, sem esperar o resultado do exame1.

Na prática, com a Complete Bari

O Complete Bari Multi reúne mais de 20 vitaminas e minerais em 3 cápsulas de gelatina por dia, uma depois de cada refeição principal. Folato e B12 estão nas formas ativas (metilfolato e metilcobalamina), e ferro, zinco, magnésio, cobre e manganês, na forma de bisglicinato.

O que ele não faz sozinho: não substitui os exames nem os complementos de B12, cálcio, ferro e vitamina D que os seus resultados pedirem.

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Quando procurar sua equipe

  • Exame alterado, mesmo sem sintomas.
  • Vômitos frequentes ou dificuldade para comer.
  • Cansaço, palidez, formigamento ou queda de cabelo forte.
  • Mais de um ano sem fazer exames.

Para levar para o dia a dia

  • Guarde todos os resultados numa pasta e leve às consultas.
  • Marque os próximos exames na agenda, com data.
  • Mantenha o multivitamínico mesmo quando os exames estão bons.

Exame em dia é cuidado que funciona em silêncio: ele pega o que falta antes que você sinta.

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Referências

  1. O'Kane M, et al. British Obesity and Metabolic Surgery Society Guidelines on perioperative and postoperative biochemical monitoring and micronutrient replacement for patients undergoing bariatric surgery, 2020 update. Obes Rev. 2020;21(11):e13087. https://doi.org/10.1111/obr.13087
  2. Parrott J, et al. ASMBS Integrated Health Nutritional Guidelines for the Surgical Weight Loss Patient, 2016 Update: Micronutrients. Surg Obes Relat Dis. 2017;13(5):727-741. https://doi.org/10.1016/j.soard.2016.12.018
  3. Ministério da Saúde. Portaria nº 425, de 19 de março de 2013, Anexos I e III. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0425_19_03_2013.html

Conteúdo educativo. Não substitui a orientação da sua equipe médica e de nutrição.

Perguntas frequentes

Os exames pós-bariátrica são pelo SUS?
Sim, para quem operou pelo SUS. A regra do Ministério da Saúde prevê acompanhamento por equipe até 18 meses, com exames como hemograma, ferritina, B12, folato, zinco, cálcio e vitamina D. Depois desse período, converse com sua equipe médica e de nutrição sobre a continuidade.
Preciso de jejum?
Depende dos exames pedidos. Alguns, como colesterol e glicose, costumam ter orientação própria de jejum, que o laboratório informa no pedido. Siga a orientação do laboratório e da sua equipe médica e de nutrição.
Exame alterado quer dizer que o polivitamínico não funciona?
Não necessariamente. As diretrizes recomendam o multivitamínico como base e doses extras de alguns nutrientes conforme os exames. A reposição é individual e ajustada pela sua equipe médica e de nutrição.
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