Cálcio é um dos assuntos que mais geram dúvida depois da cirurgia. Muita gente ouve que "bariátrico não pode tomar carbonato" e fica sem saber se o suplemento que está em casa serve ou não.
Este texto reúne o que a diretriz recomenda e o que os estudos com pacientes operados mostraram, para você chegar à consulta sabendo o que perguntar.
Por que o cálcio pede atenção depois da bariátrica?
O cálcio é a base dos ossos e dos dentes. Depois da cirurgia, três coisas dificultam chegar à quantidade do dia:
- Você come menos, inclusive leite, iogurte e queijos, que são as principais fontes de cálcio.
- O estômago produz menos ácido, e algumas formas de cálcio dependem dele para se dissolver.
- No bypass, o alimento deixa de passar pelo duodeno, a primeira parte do intestino e o principal local de absorção do cálcio2.
Por isso, a diretriz recomenda suplementação de cálcio para todos os pacientes, com 1.200 a 1.500 mg por dia depois do sleeve ou do bypass, somando alimentação e suplementos1.
Qual a diferença entre citrato e carbonato de cálcio?
| Carbonato de cálcio | Citrato de cálcio | |
|---|---|---|
| Precisa do ácido do estômago? | sim | não |
| Quando tomar | junto das refeições1 | com ou sem refeição1 |
| Cálcio por grama do sal | cerca de 40%4 | cerca de 21%4 |
| Na prática | menos comprimidos, mas depende de tomar com comida | pode exigir mais volume para a mesma dose de cálcio |
O carbonato tem mais cálcio por grama, mas depende do ácido. O citrato é absorvido mesmo com pouco ácido, mas tem menos cálcio por grama.
O que os estudos com pacientes operados mostram
Estudo 1: absorção depois do bypass (Estados Unidos, 2009)
- Pergunta: qual forma de cálcio é mais bem absorvida depois do bypass?
- Quem participou: pacientes operados de bypass.
- Resultado: o citrato de cálcio teve absorção maior do que o carbonato2.
- O que isso quer dizer: depois do bypass, com pouco ácido e sem a passagem pelo duodeno, o citrato tende a ser aproveitado melhor.
Estudo 2: correção do PTH alto (Brasil, 2015)
- Pergunta: carbonato e citrato funcionam igual para corrigir o PTH alto depois do bypass? O PTH é o hormônio que sobe quando falta cálcio ou vitamina D.
- Quem participou: 20 pacientes operados de bypass, divididos em dois grupos.
- O que receberam: 600 mg de carbonato ou de citrato-malato de cálcio, com 400 UI de vitamina D, duas vezes ao dia, por 60 dias.
- Resultado: os dois grupos tiveram queda do PTH e melhora do cálcio no sangue, sem diferença estatística entre eles3.
- Limite: poucos pacientes e pouco tempo de acompanhamento.
O que a diretriz diz
A diretriz americana de micronutrientes não proíbe nenhuma das duas formas. Ela orienta a tomar o carbonato junto das refeições, o citrato com ou sem comida, e a dividir o cálcio em doses ao longo do dia1.
Então, qual escolher?
A escolha é da sua equipe médica e de nutrição, a partir do tipo de cirurgia, dos exames e da sua rotina. Alguns pontos ajudam na conversa:
- Depois do bypass, o citrato tem a vantagem de ser absorvido sem depender do ácido2.
- Se você usa remédio para reduzir a acidez do estômago, como os protetores gástricos, o argumento a favor do citrato fica mais forte, porque o carbonato depende justamente desse ácido.
- O carbonato pode funcionar quando é tomado junto das refeições e acompanhado de vitamina D, como mostrou o estudo brasileiro3.
- O que mais pesa é a regularidade. A melhor forma é a que você consegue tomar todos os dias, na dose certa.
Ou seja: não existe "o cálcio proibido". Existe a forma certa para você e o jeito certo de tomar.
Na prática, com a Complete Bari
O Complete Bari Whey 3 em 1 tem 600 mg de cálcio na forma de citrato por dose, junto com 25 g de proteína, 2.000 UI de vitamina D3, 100 mg de magnésio e vitamina K2. Ele ajuda a somar cálcio e proteína ao mesmo tempo, sem depender de refeição.
O que ele não faz sozinho: 600 mg é parte da meta de 1.200 a 1.500 mg do dia1. O resto vem da alimentação e, se a sua equipe indicar, de outro suplemento. Como tem cálcio, tome em horário diferente do suplemento com ferro1. Contém lactose, em baixo teor.
Como tomar o cálcio para aproveitar melhor
- Divida ao longo do dia. A diretriz recomenda dar o cálcio em doses fracionadas, não tudo de uma vez1.
- Carbonato com comida, citrato quando for mais prático. Siga a regra de cada forma1.
- Separe do ferro. A diretriz recomenda tomar o ferro em horário diferente dos suplementos de cálcio1. Exemplo: o polivitamínico no almoço e o cálcio no lanche da tarde.
- Some todas as fontes. Iogurte, queijo, leite e todos os suplementos entram na conta do dia. Leve essa conta para a consulta.
Vitamina D: o cálcio não trabalha sozinho
Sem vitamina D suficiente, o corpo aproveita menos o cálcio. A diretriz recomenda 3.000 UI de vitamina D por dia depois da cirurgia, ajustando até o exame mostrar níveis acima de 30 ng/mL, e orienta repor a vitamina D quando falta, para normalizar o cálcio1.
Por isso, cálcio e vitamina D costumam ser avaliados juntos nos exames.
Quais exames acompanham o cálcio e os ossos?
A diretriz recomenda acompanhar cálcio, vitamina D e PTH depois da cirurgia, a cada 3 a 6 meses no primeiro ano e depois uma vez por ano1.
O PTH alto pode ser o primeiro sinal de que falta cálcio ou vitamina D, mesmo com o cálcio do sangue normal. O seu médico pode pedir outros exames, como a densitometria, conforme o seu caso.
Sinais de falta de cálcio
- Câimbras.
- Formigamento nas mãos, nos pés ou ao redor da boca.
- Espasmos musculares.
Esses sinais aparecem na tabela de sintomas da diretriz1 e pedem conversa com a equipe e exames. A perda de massa óssea, por outro lado, costuma ser silenciosa, por isso os exames de rotina importam tanto.
Quando procurar sua equipe
- Você sente câimbras, formigamento ou espasmos com frequência.
- Faz mais de um ano que não mede vitamina D e PTH.
- Usa remédio para acidez e toma carbonato de cálcio.
- Tem histórico de pedra nos rins e vai começar ou mudar o cálcio.
- Não consegue tomar o cálcio todos os dias.
Para levar para o dia a dia
- Some todo o cálcio do dia (comida e suplementos) e leve a conta para a consulta.
- Tome o carbonato com as refeições; o citrato quando for mais prático.
- Divida o cálcio em doses e deixe-o longe do horário do ferro.
- Mantenha vitamina D e PTH no calendário de exames.
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Referências
- Parrott J, et al. ASMBS Integrated Health Nutritional Guidelines for the Surgical Weight Loss Patient — 2016 Update: Micronutrients. Surg Obes Relat Dis. 2017;13(5):727-741. https://doi.org/10.1016/j.soard.2016.12.018
- Tondapu P, et al. Comparison of the Absorption of Calcium Carbonate and Calcium Citrate after Roux-en-Y Gastric Bypass. Obes Surg. 2009;19(9):1256-1261. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4469176/
- Baretta GAP, Cambi MPC, Rodrigues AL, Mendes SA. Secondary hyperparathyroidism after bariatric surgery: treatment is with calcium carbonate or calcium citrate? Arq Bras Cir Dig. 2015. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4795306/
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Calcium: Fact Sheet for Health Professionals. https://ods.od.nih.gov/factsheets/Calcium-HealthProfessional/
Conteúdo educativo. Não substitui a orientação da sua equipe médica e de nutrição.
