Cirurgia Sleeve (gastrectomia vertical): como funciona, prós e contras

Revisado por Nutricionista Carla FrancoNutricionista Bariátrica · CRN-9 33413
6 min de leitura
Cirurgia Sleeve: como funciona, prós e contras
Resposta rápida

No sleeve (gastrectomia vertical), o cirurgião retira boa parte do estômago, que fica em forma de tubo, com 150 a 200 ml, sem desviar o intestino. Depois da cirurgia, o hormônio da fome (grelina) cai e os da saciedade sobem. O ponto de atenção é o refluxo, mais frequente que no bypass.

O sleeve, ou gastrectomia vertical, é uma das duas cirurgias bariátricas que o Conselho Federal de Medicina classifica como altamente recomendadas5. Para muitas pessoas, um atrativo é que ele não mexe no caminho da comida pelo intestino, ao contrário do bypass1.

Veja neste guia como o sleeve é feito, o que muda nos hormônios do apetite, as vantagens e os desafios da técnica e os cuidados de longo prazo. Se você ainda compara as técnicas, veja o comparativo sleeve ou bypass: qual emagrece mais.

Como é feita a cirurgia de Sleeve?

A cirurgia é feita, na maioria das vezes, por vídeo (laparoscopia), com pequenos cortes na barriga5. Segundo a descrição oficial do SUS1:

  1. O cirurgião retira a parte do estômago que fica ao longo da sua curvatura maior, a parte "de fora" do órgão;
  2. O corte começa a cerca de 4 a 6 cm do piloro, a válvula na saída do estômago, e vai até perto da entrada do esôfago;
  3. O que fica é um estômago em forma de tubo alongado, com 150 a 200 ml.

O nome "sleeve" vem do inglês e quer dizer manga, pelo formato do estômago depois da cirurgia. O intestino não é cortado nem desviado, e a comida segue o caminho de sempre1.

Esquema da cirurgia sleeve: o estômago vira um tubo e o intestino não é desviado

O que acontece com a grelina e o apetite no Sleeve?

A grelina é conhecida como o hormônio da fome. Numa meta-análise de 28 estudos com 653 pessoas operadas de sleeve, a grelina medida em jejum caiu depois da cirurgia2.

Ao mesmo tempo, dois hormônios da saciedade, o GLP-1 e o PYY, subiram depois das refeições. O GIP, outro hormônio do intestino, não mudou2. Nesses estudos, a perda média foi de 25% do peso2.

Os autores lembram que ainda não se sabe exatamente quanto cada hormônio pesa na perda de peso2. Por isso, a alimentação, o treino e o acompanhamento continuam sendo parte do tratamento5.

Quais são as vantagens e desvantagens do Sleeve?

Avaliar os prós e contras com a equipe é o caminho para decidir se o sleeve é a melhor técnica para o seu caso5:

Aspecto O que favorece o sleeve O que pede atenção
Caminho da comida o intestino não é desviado1 a parte retirada do estômago não volta
Perda de peso parecida com a do bypass em 5 anos4 em 10 anos, um pouco menor que no bypass: 43,5% × 50,7% do excesso de peso3
Reoperação sinais de menos reoperações em revisão6 em 10 anos, 15,7% no sleeve × 18,5% no bypass, sem diferença significativa3
Refluxo — piora ou aparece com mais frequência3, 4
Vitaminas doses de zinco e cobre menores que no bypass7 multivitamínico e exames para a vida toda7
Dumping — pode acontecer, em até 40% das pessoas depois do sleeve ou do bypass8

Fontes:7,8,3,4,1,6.

Por que o refluxo é o maior desafio do Sleeve?

Nos dois principais ensaios clínicos, o refluxo foi mais comum depois do sleeve. No estudo suíço, ele piorou ou apareceu em 31,8% de quem fez sleeve, contra 10,7% no bypass4. No estudo finlandês, 10 anos depois, a esofagite (inflamação do esôfago pelo refluxo) apareceu em 31% de quem fez sleeve, contra 7% no bypass3.

O esôfago de Barrett, uma alteração do esôfago ligada ao refluxo de longa data, apareceu em 4% nos dois grupos3. Houve casos de sleeve convertido em bypass por refluxo grave4.

Por isso, se você já tem azia ou refluxo, conte à equipe antes da cirurgia: esse é um dos pontos que pesam na escolha da técnica3, 4.

Quais cuidados nutricionais são indispensáveis no Sleeve?

Mesmo sem desvio do intestino, quem fez sleeve come bem menos, e a suplementação é para a vida toda. A diretriz americana recomenda multivitamínico todos os dias e exames a cada 3 a 6 meses no primeiro ano, depois uma vez por ano7. Na volta à comida, os primeiros meses seguem as fases da dieta pós-bariátrica.

Os principais cuidados são:

  • Polivitamínico todos os dias: com ferro (45 a 60 mg por dia para mulheres que menstruam e para quem fez sleeve ou bypass), B12 e vitamina D, ajustados pelos exames7;
  • Zinco e cobre: de 8 a 11 mg de zinco e 1 mg de cobre depois do sleeve7;
  • Proteína: pelo menos 60 g por dia, chegando a 1,5 g por quilo de peso ideal; a sua meta é definida pela sua equipe9;
  • Jeito de comer: porções pequenas, divididas em 4 a 6 refeições, mastigação calma e líquidos 15 minutos antes ou 30 minutos depois das refeições10.

Na prática, com a Complete Bari

O Complete Bari Multi reúne mais de 20 vitaminas e minerais em 3 cápsulas de gelatina por dia, uma depois de cada refeição principal. Folato e B12 estão nas formas ativas (metilfolato e metilcobalamina), e ferro, zinco, magnésio, cobre e manganês, na forma de bisglicinato.

Para a proteína, o Complete Bari Whey 3 em 1 tem 25 g por dose, com whey 100% isolado. Contém lactose, em baixo teor, e derivado de soja. Como tem cálcio, tome em horário diferente do multivitamínico com ferro7.

O que eles não cobrem sozinhos: o cálcio do dia, que depende da alimentação e de um suplemento à parte; a B12, que costuma precisar de complemento; e os ajustes de vitamina D e ferro que os seus exames pedirem.

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Quando procurar sua equipe

  • Azia, queimação ou comida voltando com frequência.
  • Dificuldade para engolir ou vômitos repetidos.
  • Dor forte na barriga, febre ou coração acelerado nos dias depois da cirurgia.
  • Cansaço, formigamento ou queda de cabelo forte.

Para levar para o dia a dia

  • Coma devagar e pare quando estiver satisfeito.
  • Separe os líquidos da comida.
  • Mantenha o multivitamínico e os exames, mesmo quando estiver se sentindo bem.

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Referências

  1. Ministério da Saúde. Portaria nº 425, de 19 de março de 2013, Anexos I e III. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0425_19_03_2013.html
  2. McCarty TR, Jirapinyo P, Thompson CC. Effect of Sleeve Gastrectomy on Ghrelin, GLP-1, PYY, and GIP Gut Hormones: A Systematic Review and Meta-analysis. Ann Surg. 2020. https://doi.org/10.1097/SLA.0000000000003614
  3. Salminen P, et al. Effect of Laparoscopic Sleeve Gastrectomy vs Roux-en-Y Gastric Bypass on Weight Loss, Comorbidities, and Reflux at 10 Years in Adult Patients With Obesity: The SLEEVEPASS Randomized Clinical Trial. JAMA Surg. 2022;157(8):656-666. https://doi.org/10.1001/jamasurg.2022.2229
  4. Peterli R, et al. Effect of Laparoscopic Sleeve Gastrectomy vs Laparoscopic Roux-en-Y Gastric Bypass on Weight Loss in Patients With Morbid Obesity: The SM-BOSS Randomized Clinical Trial. JAMA. 2018;319(3):255-265. https://doi.org/10.1001/jama.2018.0098
  5. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.429, de 25 de abril de 2025. https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2025/2429_2025.pdf
  6. Arterburn DE, et al. Benefits and Risks of Bariatric Surgery in Adults: A Review. JAMA. 2020;324(9):879-887. https://doi.org/10.1001/jama.2020.12567
  7. Parrott J, et al. ASMBS Integrated Health Nutritional Guidelines for the Surgical Weight Loss Patient, 2016 Update: Micronutrients. Surg Obes Relat Dis. 2017;13(5):727-741. https://doi.org/10.1016/j.soard.2016.12.018
  8. Scarpellini E, et al. International consensus on the diagnosis and management of dumping syndrome. Nat Rev Endocrinol. 2020;16(8):448-466. https://doi.org/10.1038/s41574-020-0357-5
  9. Mechanick JI, et al. Clinical practice guidelines for the perioperative nutrition, metabolic, and nonsurgical support of patients undergoing bariatric procedures, 2019 update. Surg Obes Relat Dis. 2020;16(2):175-247. https://doi.org/10.1016/j.soard.2019.10.025
  10. Sherf-Dagan S, et al. Nutritional Recommendations for Adult Bariatric Surgery Patients: Clinical Practice. Adv Nutr. 2017;8(2):382-394. https://doi.org/10.3945/an.116.014258

Conteúdo educativo. Não substitui a orientação da sua equipe médica e de nutrição.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a recuperação do Sleeve?
A tabela do SUS prevê, em média, 4 dias de internação. A alimentação passa por fases, dos líquidos à comida sólida, ao longo de 1 a 2 meses. O retorno às atividades é liberado pela sua equipe médica e de nutrição.
Quem opera Sleeve pode ter síndrome de dumping?
Pode. O consenso internacional aponta dumping em até 40% das pessoas depois do bypass ou do sleeve. Evitar doces e comer devagar ajudam. Se o mal-estar se repetir, converse com sua equipe médica e de nutrição.
O Sleeve pode ser convertido em Bypass mais tarde?
Pode. No estudo suíço, houve conversões de sleeve para bypass por refluxo grave, e o CFM reconhece a conversão como uma das finalidades da cirurgia revisional, decidida pela equipe. Converse com sua equipe médica e de nutrição.
Quem opera Sleeve precisa tomar polivitamínico para sempre?
Sim. A diretriz americana recomenda multivitamínico todos os dias, para a vida toda, com exames periódicos, depois do sleeve e do bypass. Sua equipe médica e de nutrição ajusta as doses pelos exames.
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