Nos primeiros dias depois da cirurgia, muita gente tem receio de engolir comprimidos grandes. A dieta ainda é líquida ou pastosa, o estômago está se adaptando e tudo parece mais difícil.
Ao mesmo tempo, a suplementação não pode esperar: ela começa já na alta do hospital, em geral de 2 a 4 dias depois da cirurgia1.
É aí que entra o polivitamínico mastigável. Neste artigo, explicamos o que as diretrizes dizem sobre ele, o que os estudos ainda não mostram e como escolher e tomar o seu. Para comparar com outras opções, veja o guia sobre qual a melhor vitamina para quem fez bariátrica.
O que as diretrizes dizem sobre o polivitamínico mastigável?
A revisão de Sherf-Dagan e colaboradores, sobre a prática clínica de nutrição na bariátrica, orienta1:
- começar a suplementação na alta do hospital;
- usar comprimidos mastigáveis ou para chupar nos primeiros 3 a 6 meses, por causa das mudanças na absorção depois da cirurgia;
- depois desse período, passar para os suplementos para engolir, se a equipe liberar.
O formato muda, mas a meta não: as doses de ferro, B12, folato, tiamina, zinco e cobre seguem as faixas da diretriz da ASMBS, seja o produto mastigável ou cápsula2.

Por que o mastigável costuma vir primeiro?
Nos primeiros meses, a alimentação passa por fases. Primeiro vêm os líquidos, depois os purês, os alimentos macios e, por volta de 1 a 2 meses, a comida sólida1. Nessa fase, um comprimido para mastigar combina mais com o que a pessoa está comendo.
Também há o lado prático: muitas pessoas têm medo de engolir cápsulas logo depois da cirurgia. Se o formato assusta, a chance de pular doses aumenta, e a falta de nutrientes pode aparecer meses depois, como anemia e queda de cabelo.
Se você sentir dificuldade para engolir, dor ao engolir ou vômitos que não passam, avise a equipe. Vômitos por muito tempo aumentam o risco de falta de tiamina (vitamina B1)4.
O mastigável absorve melhor do que a cápsula?
Não há estudo que compare diretamente a absorção do polivitamínico mastigável com a da cápsula em quem fez bariátrica. A revisão de prática clínica cita as mudanças na absorção como motivo para o mastigável no começo, mas não traz números1.
O que se sabe é que, em qualquer formato, quem mostra se a suplementação está dando certo são os exames. A ASMBS orienta exames a cada 3 a 6 meses no primeiro ano e depois uma vez por ano2.
Por isso, desconfie de promessas como "absorção imediata" ou "alta absorção" em qualquer formato.
Quais as diferenças práticas entre o mastigável e a cápsula?
| Polivitamínico mastigável | Cápsula ou comprimido para engolir | |
|---|---|---|
| Quando costuma entrar | Primeiros 3 a 6 meses1 | Depois, quando a equipe liberar1 |
| Como tomar | Mastigar bem antes de engolir | Engolir com um pouco de água |
| Ponto de atenção | Açúcar na fórmula, que pode provocar dumping3 | Tamanho, se você ainda tem dificuldade para engolir |
| Doses | Devem seguir a diretriz2 | Devem seguir a diretriz2 |
Como escolher um polivitamínico mastigável?
Leve estes pontos para a hora da compra:
- Doses por porção: compare a tabela com a diretriz, principalmente ferro, B12, tiamina, folato, zinco e cobre2. Muitos mastigáveis comuns de farmácia trazem doses pensadas para quem não operou;
- Sem açúcar: prefira fórmulas sem sacarose e sem xarope de glicose, porque açúcares de absorção rápida estão entre os gatilhos do dumping3;
- Zinco com cobre: zinco em excesso sem cobre pode causar falta de cobre. A proporção indicada é de 8 a 15 mg de zinco para 1 mg de cobre2, 4;
- Forma do ferro: em gestantes, o ferro bisglicinato teve menos efeitos no estômago e no intestino do que outros sais de ferro5. Não há estudos em bariátricos, então vale como critério de conforto.
Como tomar o polivitamínico mastigável no dia a dia?
- Mastigue bem: o comprimido é feito para ser mastigado. Siga a orientação da embalagem e da sua equipe;
- Separe do cálcio: deixe pelo menos 2 horas entre o cálcio e o polivitamínico com ferro1. A diretriz britânica fala em 1 a 2 horas entre ferro e cálcio4;
- Vitamina C ajuda o ferro: tomar junto de frutas cítricas ou de vitamina C pode ajudar a absorção do ferro4;
- Crie uma rotina: tomar sempre no mesmo momento, como depois de uma refeição, ajuda a não esquecer.
Quem já operou há anos pode continuar com o mastigável?
Pode, se a sua equipe concordar. A revisão de prática clínica diz que, depois dos primeiros meses, os suplementos para engolir podem ser usados1, mas isso não obriga ninguém a trocar.
O que conta é a dose e a regularidade. Se você toma o mastigável todos os dias e os exames estão bons, ele está cumprindo o papel. Se os exames mostram falta de algum nutriente, a equipe ajusta, com outro produto ou com um suplemento à parte.
Na prática, com a Complete Bari
A Complete Bari não tem versão mastigável. O Complete Bari Multi vem em 3 cápsulas de gelatina por dia, que se abrem com facilidade, em vez de comprimidos duros. Reúne mais de 20 vitaminas e minerais; ferro, zinco, cobre, magnésio e manganês estão na forma de bisglicinato, e o folato e a B12, nas formas ativas (metilfolato e metilcobalamina).
Antes de trocar o formato: nos primeiros meses, siga a apresentação que a sua equipe médica e de nutrição indicar.
Para levar para o dia a dia
- Nos primeiros 3 a 6 meses, a orientação é o mastigável ou para chupar.
- Mastigável ou cápsula, as doses devem seguir a diretriz.
- Prefira fórmulas sem açúcar.
- Separe o polivitamínico com ferro do cálcio.
- Os exames dizem se está funcionando.
Continue lendo
- Qual a melhor vitamina para quem fez bariátrica
- Suplemento de ferro pós-bariátrica
- Vitaminas ativas e minerais quelados
Referências
- Sherf-Dagan S, et al. Nutritional Recommendations for Adult Bariatric Surgery Patients: Clinical Practice. Adv Nutr. 2017;8(2):382-394. https://doi.org/10.3945/an.116.014258
- Parrott J, et al. American Society for Metabolic and Bariatric Surgery Integrated Health Nutritional Guidelines for the Surgical Weight Loss Patient — 2016 Update: Micronutrients. Surg Obes Relat Dis. 2017;13(5):727-741. https://doi.org/10.1016/j.soard.2016.12.018
- Scarpellini E, et al. International consensus on the diagnosis and management of dumping syndrome. Nat Rev Endocrinol. 2020;16(8):448-466. https://doi.org/10.1038/s41574-020-0357-5
- O'Kane M, et al. British Obesity and Metabolic Surgery Society Guidelines on perioperative and postoperative biochemical monitoring and micronutrient replacement for patients undergoing bariatric surgery—2020 update. Obes Rev. 2020;21(11):e13087. https://doi.org/10.1111/obr.13087
- Fischer JAJ, et al. The effects of oral ferrous bisglycinate supplementation on hemoglobin and ferritin concentrations in adults and children: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutr Rev. 2023;81(8):904-920. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10331582
Conteúdo educativo. Não substitui a orientação da sua equipe médica e de nutrição.


